Saiba como aumentar a possibilidade de ser contractado! 

Há um detalhe que poucas pessoas sabem sobre entrevistas de recrutamento: a maior parte das perguntas não existe para o “apanhar desprevenido”. Existe para perceber como pensa, como reage e como decide. E isto muda tudo. 

Durante 20 anos a acompanhar profissionais em transição, aprendi que as entrevistas não procuram apenas experiência, procuram consciência. E é por isso que tantas pessoas se sentem apanhadas de surpresa, mesmo quando têm um currículo impecável. 

Hoje quero partilhar algo que ensino no meu trabalho e que também está dentro da Mentoria Rumo Certo: as entrevistas tornam-se previsíveis quando percebe o que está realmente a ser avaliado. 

Vamos a isso. 

1. “Fale-me de si.”: Não é sobre o seu CV. É sobre clareza. 
É sempre a primeira pergunta. E continua a ser a que deixa mais pessoas desconfortáveis.
O que está a ser avaliado aqui não é o seu percurso, é a sua capacidade de síntese, foco e autoconhecimento.

O que responder?
 

  • resuma o que fez
  • explique por que fez
  • destaque os resultados de que mais se orgulho
  • ligue tudo à função à qual se candidata

2. “O que o levou a sair da sua última função?”: Não fuja. Eleve.
A pergunta é desconfortável, mas não é uma armadilha. Estão a avaliar como reage ao desconforto e se consegue comunicar desalinhamento com maturidade.
O que fazer? 

  • explique o que deixou de fazer sentido 
  • descreva o que procura daqui para a frente 
  • foque-se no futuro, não no passado 

3. “Quais são as suas forças?”: As forças não se dizem. Mostram-se.
O erro mais comum é listar adjectivos.
As forças só fazem impacto quando vêm acompanhadas de histórias, resultados e evidências.
Use exemplos reais, feedbacks de pares e chefias. Três forças bastam, se forem concretas. 

4. “E as suas fraquezas?”: Não é para se diminuir. É para mostrar crescimento.
Aqui estão a avaliar como lida com falhas e aprendizagem. A melhor resposta é simples: 

  • descreva uma situação real 
  • explique o que aprendeu 
  • mostre como passou a agir depois disso
    Transparência + evolução = maturidade profissional. 

5. “Como percepciona a nossa cultura?”Chega de respostas vagas. Faça o trabalho.
fit cultural é um dos maiores preditores de sucesso numa relação profissional.
Antes da entrevista, pesquise: 

  • site institucional 
  • redes sociais 
  • notícias recentes 
  • colaboradores atuais e antigos 
  • plataformas como a Glassdoor
    Mostrar que fez o trabalho de casa transmite alinhamento e profissionalismo. 

6. Conflitos, mudanças inesperadas e decisões difíceisEstão a avaliar a sua capacidade de pensar sob pressão.
Quando lhe pedem:
“Fale de um conflito que teve de gerir.”
“Conte-me uma situação em que teve de agir rapidamente.”
“Descreva uma decisão difícil.”
…estão a avaliar inteligência emocional, capacidade de decisão, liderança e flexibilidade.
Use esta estrutura: Desafio → o que sentiu → o que fez → porquê → resultado. 

7. Expectativas salariais: a pergunta que ninguém quer responder.
A regra nº1 é simples: prepare-se com dados reais.
Pesquise os estudos salariais mais recentes, sobretudo nas empresas de recrutamento e search.
Falar de salário com segurança transmite maturidade. 

8. “Porque mudou tantas vezes?” / “Porque esteve tanto tempo sem trabalhar?”Estas perguntas não são um julgamento, são perguntas de risco.
Estão a avaliar consistência, clareza e padrões.
Seja transparente, explique com maturidade e foque-se no crescimento. 

9. E no fim… não saia sem fazer perguntas. É aqui que se vê quem está preparado.
As melhores perguntas mostram critério e intenção. Algumas que recomendo: 

  • “O que procuram exatamente na pessoa ideal para esta função?” 
  • “Como serei avaliado?” 
  • “Quais os desafios principais dos primeiros meses?” 
  • “Como descreve a cultura da organização?” 
  • “Porque é que esta posição está aberta?” 
  • “Quais serão os próximos passos do processo?” 

Fazer boas perguntas mostra que está a escolher, não apenas a ser escolhido. 

A verdade é esta: saber responder bem começa muito antes da entrevista. 

Não começa na sala. Não começa nas perguntas. E não começa a decorar respostas. 

Começa quando sabe: 

  • quem é 
  • o que quer 
  • o que já não aceita 
  • qual é o seu valor 
  • qual é o seu posicionamento 
  • qual é a direção que quer dar à sua carreira 

Sem isto, nenhuma resposta soa autêntica. Nenhuma história convence. Nenhum recrutador vê clareza.