Saímos da entrevista a pensar que correu bem. A conversa fluiu, respondemos a tudo. Fomos simpáticos e sentimos empatia com quem estava à nossa frente. 

E dois dias depois recebemos o email: “Decidimos avançar com outro candidato.” 

Faz-nos pensar: mas o que é que correu mal? 

Ao longo de anos a acompanhar profissionais em processos de transição de carreira, percebi uma coisa que contraria o que a maioria pensa: as entrevistas raramente correm mal por falta de competência. Correm mal por três razões muito específicas. 

 Erro 1: Não ter a narrativa profissional clara. 

Muitas pessoas chegam à entrevista sem conseguir explicar claramente qual é o valor que trazem, que problemas resolvem e porque é que faz sentido serem contratadas. 

Quando isso acontece, o entrevistador tem de fazer demasiado esforço mental para perceber quem está à sua frente. E quando tem de fazer esforço: escolhe outro candidato. 

Eu posso dizer que sou coach de carreira. Ou posso dizer que apoio profissionais a encontrar o rumo certo das suas carreiras, de modo a construírem uma vida com mais sentido, e que já acompanhei mais de 1000 pessoas em todo o mundo a fazê-lo. A diferença é enorme. Uma designa o nome da função que desempenho. A outra diz o que faço e que impacto gero. 

Erro 2: Dar opiniões em vez de evidências. 

“Sou resiliente.” “Sou orientado para resultados.” “Trabalho bem em equipa.” 

Como é que o recrutador sabe que isso é verdade? Só porque o está a dizer? É que isso não prova rigorosamente nada. 

Em vez de adjectivos, traga histórias concretas, situações reais, decisões que tomou, resultados que gerou. Quando conta uma história, fica claro como pensa, como age e que impacto consegue criar. O storytelling é uma das ferramentas mais poderosas numa entrevista, e a maioria das pessoas nunca o usa. 

Erro 3: Ir para a entrevista e não recrutar. 

Uma entrevista não é um teste em que tem de passar. É um processo de gestão de risco para ambas as partes. 

Quem recruta está a tentar perceber se consegue fazer o trabalho, se se integra na equipa e se pode confiar em si. Mas você também está a avaliar, se se imagina naquela relação, se os valores se alinham, se aquele contexto serve a sua vida. 

Quando não leva perguntas preparadas, não está a recrutar. E isso tem dois custos: não recolhe a informação de que precisa para decidir, e não demonstra o interesse genuíno que diferencia candidatos.

O que muda quando estes três erros desaparecem. 

Os meus clientes chegam a um ponto em que me dizem: “Lourdes, tenho de escolher entre propostas.” No início ficam sempre céticos, mas depois percebem que não é sorte. É preparação estratégica. 

Preparar entrevistas é uma competência. Aprende-se e tem método. 

Se quer trabalhar isto na prática e aprender a: 

  • estruturar a sua narrativa 
  • preparar as histórias certas 
  • responder às perguntas mais difíceis 
  • perceber o que os recrutadores estão realmente a avaliar 

Realizei um workshop ao vivo que ficou gravado e pode adquirir aqui.